Vegetarianismo, Veganismo, Ovolacteovegetarianismo… Atualmente vemos várias correntes ligadas ao não consumo de produtos animais, mas concretamente o que defendem e porquê?  

Ser vegetariano implica não comer peixe nem carne, mas todos os derivados são permitidos. Se optamos por um estilo de vida vegan, ficam de fora todos os produtos de origem animal – incluindo a roupa e utensílios que tenham componentes de origem animal. Já os Ovolactovegetarianos não consomem produtos animais, mas os ovos e lacticínios estão presentes nas suas escolhas alimentares.   

Cada corrente tem os seus argumentos e pontos de vista. É verdade que concordo com muitas das razões base, no entanto, prefiro o equilíbrio, não me revejo em radicalismos ou fundamentalismos cegos.  

Compreendo todas as razões éticas do não consumo de animais, mas os argumentos de saúde são ainda mais fortes, para mim. Na maioria dos casos, não precisamos de consumir produtos ou alimentos de origem animal. Não precisamos do ponto de vista de saúde física, emocional, psicológica e ambiental.  

Não defendo o consumo de proteína animal regular principalmente por razões ambientais, ecológicas e de saúde.  Consumo produtos de origem animal raramente – na verdade, consumo apenas peixe de vez em quando, de resto deixo de fora carne, ovos, lacticínios e derivados. Respeito o meu corpo e o que me pede, para além de lhe dar o “combustível” certo para funcionar da forma mais equilibrada possível. 

Em primeira análise deve estar a nossa saúde e, posteriormente, a saúde da nossa sociedade, do nosso habitat, do nosso planeta. E devemos dar primazia à nossa saúde, pois se estivermos bem todas as outras estarão, é sinal que estamos equilibrados e bem integrados. A nossa saúde individual deve promover valores de respeito, equilíbrio e consciência pelos seres humanos, mas também por todos os seres que coabitam o nosso planeta terra. Se todos tivéssemos consciência disso não haveria tanto plástico no mar, lixo nas praias, agentes poluentes, entre outros.   

As razões ambientais são gritantes. Não temos mais nenhum habitat em que consigamos sobreviver, devemos ter isto bem presente e desenvolver a nossa consciência ambiental de grupo, enquanto sociedade. Não vale a pena defender apenas questões morais como fundamento, devemos integrá-las e pensar em saúde. Saúde global, nossa e do planeta. O consumo de água necessário para a produção de carne é absurdo, sabiam que com a água necessária para produzir 1kg de carne poderíamos tomar 200 banhos? Ou que o processo necessário para produzir 1kg de bife emite tanto CO2 como andar 150km de carro? Deixa-nos a pensar, efetivamente.  

Do ponto de vista da saúde, o consumo regular de produtos de origem animal tem vários impactos no nosso corpo, desde a gordura saturada à digestão tóxica. Quando consumimos proteína animal devemos pensar, primeiro que tudo, na forma como foi produzida – com recurso a antibióticos e fertilizantes para crescerem mais rápido, através de rações de pouquíssima qualidade ou de forma mais natural, mais lenta e orgânica? Isto rapidamente nos leva à qualidade do alimento que estamos a ingerir – mas isto fica para outra conversa 😊  

Vamos pensar, apenas, nos impactos depois do seu consumo. Por um lado, podemos começar pela digestão difícil para o nosso corpo, que não está preparado em termos de dimensão de intestino nem de intensidade do suco gástrico, por exemplo. A carne começa o processo de putrefação logo depois do animal ser morto, portanto, continua esse processo dentro do nosso corpo. O nosso intestino é demasiado longo, por isso, mantemos os “restos mortais” da carne durante muito tempo dentro de nós, com tudo o que isso implica. Todo o processo de decomposição irá fazer passar as toxinas para o nosso sangue, através da absorção no intestino grosso. Estas toxinas vão acumular-se no nosso fígado, rins e intestino grosso, impedindo também a absorção de vitaminas essenciais ao nosso funcionamento, como a vitamina C. Por outro lado, a ingestão de elevados níveis de gordura saturada presentes na carne e derivados elevam os níveis de colesterol, pela nossa incapacidade de processar tanta gordura. Assim começam as calcificações e os bloqueios das artérias, se não o conseguimos absorver nem expelir, a gordura começa a acumular-se. E todos sabemos que precisamos, bastante, de gordura (boa) para funcionar, principalmente o cérebro e outros órgãos vitais.  

Quando se diz que a alimentação é escassa, é verdade. No entanto, tudo está ligado à forma como comemos. Gigantes plantações de cereais e leguminosas para alimentar a indústria animal (como é o caso da Amazónia); a produção massiva de leite… No fim de contas, a indústria alimentar é a maior de todas (desde a plantação, à produção, ao transporte ou à venda da nossa alimentação).  

Quando consumimos produtos animais estamos a consumir uma alimentação vegetal transformada. Porquê? Os animais que consumimos regularmente são vegetarianos, por isso, se formos diretamente à sua alimentação base não será mais saudável e equilibrado? Estaremos a consumir cereais, legumes, entre outros. A proteína vegetal que é a origem da proteína animal, sendo a primeira isenta de antibióticos, intensificadores de crescimento ou de sabor.  

Em termos práticos e reais todas as iniciativas contam. Não vale a pena sermos extremistas e achar que vamos mudar o mundo amanhã. Podemos mudar muita coisa, sim! Começamos por ter uma consciência mais real e abrangente e adaptar a nossa forma de estar.  

E se vos lançar um desafio? Adotar, pelo menos, 1 destes 3 hábitos: 

. Deixar de consumir proteína animal 1 dia por semana 

. Comer carne ou peixe apenas a 1 refeição e não a todas as refeições do dia 

. Experimentar iogurtes e bebidas vegetais (atenção aos rótulos e à lista de ingredientes. Tenham atenção para as opções carregadas de açúcar que só vão fazer pior 😊 

O que vos parece? “Só” isto irá poupar vários recursos do nosso planeta, evitar a emissão de muitas toneladas de metano na atmosfera e a vossa saúde vai agradecer bastante.  

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